Sábado, 8 de Setembro de 2007

RBAR

Do alto vê-se e sonha-se, deslizando pelos ares, sob os céus azuis, o chão tão lá em baixo. Voar é um sonho velho, desejado, mesmo depois de já conseguido por alguns. Eu sonho voar, e sonho com máquinas. Máquinas velozes, rápidas, ágeis, caças a jacto, trovejando, dardejando, máquinas de sonho reais.
Voar não precisa ser apenas um sonho, um momento de pura liberdade ou o mais puro dos êxtases. Pode ser competição.
Empresas de bebidas deveriam ganhar dinheiro apenas com as latas cheias de líquidos de qualidade duvidosa que vendem aqui e ali. No entanto, a publicidade em si pode ser mais poderosa do que o produto oferecido. No vale do rio Douro, entre as cidades de Porto e Gaia, os céus foram atravessados por competidores em leves pássaros de metal. Ágeis, numa competição voraz. A excitação percorreu minhas veias ao ver aqueles 13 homens debaterem-se, decidindo qual era o mais veloz, o melhor. E 13 é um número sortudo. Pelo menos foi naqueles dois dias que tanto me animaram.
No entanto, glória das glórias, a corrida não foi o que mais me tocou.
Elevados sobre o Sol Adormecido, qual desejo da noite, seis leves jactos de treino atravessaram os céus, lá no alto, em manobras belas e arriscadas, subindo até aos azuis céus limpos, naquela bela tarde de calor. O Sol aquecia-me a face, enquanto eu via a patrulha acrobática fazer a sua apresentação, invejando e admirando aqueles pilotos. Oh, Céu, que anseio. Quem me dera tocar-te com a asa delicado de um desses pássaros de alumínio e titânio e aço…
A corrida elevou-me, sonhos jogáveis sobre combates de ases ressuscitaram-me. Eu sou o sonho de voar. Sou o sonho de descobrir.
Todos o somos…

Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

E da minha infância nasce algo novo...

Muito tempo sozinho, perdido em pensamentos sombrios e vividas recordações de luz pura...
Ponderei longamente entre as minhas claras sessões de solitária meditação. Interrompendo para me entrecruzar com outras auras, mais ou menos respeitosas...
Não que seja anti-social, eu faça-me entender. Mas há coisas que tendem a fazer-nos sentirmo-nos sós, mesmo quando não o estamos. É uma sensação estranha e faz-me pensar na velha máxima do "todos morremos sós". Não sei se é verdade sequer... Seremos mesmo todos auras solitárias, entrecruzando-nos esporadicamente com outras? Seremos parte de algo bem maior? Uma consciência colectiva, ou até algo divino?...
Por mim tendo a valorizar muito a minha autonomia... Mas isso sou eu a falar... "Daqui de cima vêm-se coisas maravilhosas", disse alguém. Eu gosto de sentir isso...

Por falar em ver de cima... Fui ver, no dia da celebração do meu nascimento, um filme que me levou de volta à minha infância. Durante duas horas e meia senti-me reduzido a um rapazinho de dez anos, incapaz de fugir daí, sem vontade de sequer o fazer. Sem vontade porque me encontrava de tal modo entretido e animado que simplesmente queria que aquele filme nunca acabasse...

Começou de um modo mais ou menos banal, soldados a regressar de mais uma missão, o capitão desejoso de falar com a família, demasiado longe para poder estar com ela. Anoitece, e um estranho helicóptero aterra na pista de aviação da base onde estavam colocados, criando um enorme alvoroço. O aparelho é cercado de soldados nervosos. Então, o bloco do rotor sobe, e as pás são recolhidas para trás. De seguida, num amontoado de confusão visual, a máquina converte-se numa imensa figura humanóide que começa a devastar tudo e todos... E assim se anunciava a chegada dos Transformers à terra...

Coisa estranha hein?... Mas adorei cada segundo... Aconselho a toda a gente. Um bom filme para quem se quer divertir com os amigos... E vão por mim, não é, nem de perto, tão vazio de significado como dizem por aí...